O património do Tejo, paisagem cultural a preservar



A Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARHTejo) e a Sociedade de Geografia de Lisboa promoveram em Vila Velha de Ródão, no dia 1 de Julho de 2010, na Casa das Artes e Cultura do Tejo, uma sessão debate sobre o rio “Património do Tejo”. Maria do Carmo Sequeira, presidente da Câmara Municipal de Vila Velha do Ródão, Luís Aires Barros, presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, e Manuel Lacerda, presidente da ARH do Tejo, integraram a mesa da sessão de abertura. Este evento teve como finalidade realçar o Tejo como sinónimo de património, definido como um bem material, natural ou imóvel que possui significado e importância artística, cultural, religiosa, documental ou estética para a sociedade, tendo associada uma dimensão patrimonial quase incomensurável. Neste domínio, pretende-se promover uma candidatura transnacional do Tejo Ibérico a Património Universal, mas “se não tivermos recursos hídricos de qualidade não teremos património natural” foram as palavras do Almirante José Bastos Saldanha primeiro orador que apresentou o tema “Tejo, Património da Humanidade um sonho” e o conceito de paisagem cultural aplicável ao Tejo. Também esteve presente Galopim de Carvalho, o bem conhecido geólogo alentejano de Évora que já percorre e estuda esta região há mais de quarenta anos, que levou os participantes a viajar pelo tempo defendendo a ideia de que o Tejo “corria para dentro” algures num vale em Espanha onde encontrava uma outra linha de água que é agora o montante do rio, cuja comunicação com o mar se iniciou há 23 milhões de anos, declarando que o nome do lugar de Seixal vem das cristas quartzíticas, como a que percorre as portas de Ródão, e que o gargalo do Tejo (parte final e mais estreita do estuário) é muito recente, com cerca de 1 milhão de anos. Fernando Catarino falou-nos do Tejo dos poetas, de Fernando Pessoa e de Alexandre O'Neill, e da biodiversidade do Tejo tendo afirmado que “se castrarmos o Tejo com barragens irá parecer um caldo verde”, “a azinheira marca a paisagem, faz solo e suporta gados e gentes, nomeadamente, o javali”, tendo também solos extremamente ácidos onde predominam as oliveiras, amendoeiras, o zimbro e o tamujo, ideais para campos magros. No espaço de debate questionou-se se em vez de empregar o termo “explorar os recursos do Tejo” não se deveria falar em “utilizar os serviços do ecossistema”. O Tema “Comunidades aquáticas e qualidade ecológica da rede fluvial do Tejo” foi apresentado por João Oliveira e Teresa Ferreira do CEF / Instituto Superior de Agronomia que realçaram que o valor pesqueiro do rio é a melhor ferramenta para fazer a avaliação do seu estado ecológico. A avaliação efectuada por estes académicos utilizou sete espécies piscícolas, das quais ainda existem seis, tendo concluído que na zona mais próxima da fronteira a situação ecológica agrava-se por acção das barragens e da contaminação das águas, que atinge o estado de eutrofização, mas foi considerada uma situação recuperável. A título de exemplo, das dificuldades colocadas às espécies piscícolas foi mencionado que a enguia não consegue chegar a lugares do interior e que as passagens para peixes estão com uma eficiência de apenas 44%, não existindo informação quanto ao impacto do açude de Abrantes. Algumas frases do Painel sobre património arqueológico e histórico do Rio Tejo: A desertificação de algumas áreas tem melhorado localmente a qualidade ecológica. A sobrevivência de um modo de vida (permanecer no interior) significa bem-estar cultural e não atraso. O gelo vindo da Serra da Estrela chegava às cortes de Lisboa partindo das Portas de Ródão acondicionado em palha, motivo pelo qual a entrada do rio Tejo em Lisboa ainda hoje é nomeada como “mar da palha”. Os últimos elefantes da região existiram em Vila Velha de Ródão. O prémio Nobel José Saramago Nasceu na borda do Tejo. O rio era utilizado como via de transporte de pessoas e carga, mas pouco se sabe sobre transporte de madeira. O Tejo e o Tajo vêm do latim Tagus, tendo surgido pelo facto dos árabes presentes na província não conseguirem pronunciar o “G”. No debate defendeu-se que deveria existir uma agência Ibérica que defenda o rio, regule os caudais ecológicos e os tranvases visto que o Convénio da Albufeira não tem vindo a ser devidamente aplicado. É notório que as principais autoridades da administração central e local e da academia ligadas à geografia, geologia, biologia, cultura, pesca, bem como os utilizadores e as populações ribeirinhas, já todos se deram conta do estado do rio Tejo que se encontra numa profunda crise de qualidade e quantidade de água, estagnado e poluído pelos interesses económicos da venda de água para a agricultura e para a produção de energia, fundamentalmente em Espanha. Será que agora vamos ter um apoio generalizado das instituições da sociedade portuguesa e uma acção conjunta com o Governo português para mover rios e montanhas para conseguirmos fazer ver ao Governo espanhol que a melhor opção será contruir progressivamente alternativas aos transvases com o apoio de programas comunitários e da Comissão Europeia? A ver vamos! Foi anunciado que está prevista a realização de uma segunda sessão “Património do Tejo” no final do ano, possivelmente em Outubro, altura em que também decorrerá uma caminhada pedestre ao longo do rio Tejo de Lisboa até à fronteira em Cedilho, e talvez continuando por Espanha, inaugurando um percurso que a ARH Tejo pretende que seja uma “Grande Rota do Tejo” com “caminhos de pé posto, o mais dependente possível das margens do Tejo, segundo as regras e simbologia internacionais” (InfoTejo n.º5 de Junho de 2010/ARH Tejo).

SESSÃO DE DEBATE "PATRIMÓNIO DO TEJO"

Tejo é sinónimo de património. Sabendo que património é definido como um bem material, natural ou imóvel que possui significado e importância artística, cultural, religiosa, documental ou estética para a sociedade, o Tejo tem associada uma dimensão patrimonial quase incomensurável. É sobre este tópico que a ARH do Tejo I.P. e a Sociedade de Geografia de Lisboa promovem em Vila Velha de Rodão, na Casa das Artes e Cultura, uma Sessão Debate.

Ana Catarina Lopes Telefone: 211 554 852 Endereço electrónico: ana.lopes@arhtejo.pt Inscrições gratuitas. Número de inscrições limitado aos lugares disponíveis.Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

Veja o cartaz aqui.

Realizou-se o colóquio “As questões do Urânio” na tarde do dia 22 em Nelas.

Iniciou-se com uma intervenção de António Minhoto, Presidente da Associação #Ambiente em Zonas Uraníferas#, que organizou o colóquio. Fez um balanço das lutas passadas, desde o apoio aos ex-trabalhadores das minas à denúncia do estado de irresponsabilidade em que estavam (e em grande parte continuam) as minas e áreas mineradas. Referiu o empenho que por Nisa, para que não aconteça o mesmo, a A.Z.U. (em articulação com o M.U.N.N.) tem mantido, e perspectivou as futuras actividades da A.Z.U. Seguiu-se Marisa Matias, investigadora do CES/Universidade de Coimbra, que apresentou com detalhes saborosos a sua tese de doutoramento que teve por centralidade as questões sociais e ambientais das minas de urânio e investindo na sua actual função política (é deputada no Parlamento Europeu, eleita pelo B.E.) mostrou disponibilidade para continuar o apoio nas lutas pela recuperação dos espaços ou preservação destes em lógicas de sustentabilidade. Paco Castejon, de Ecologistas en Accion apresentou um “powerpoint” sobre os problemas globais do ciclo do urânio e o, actualmente, problema maior que é o projecto de concentrar os resíduos intratáveis e perpétuos desta actividade industrial num só local, e as gravíssimas consequências que isso pode ter, os cemitérios nucleares. A solidariedade ibérica na luta será importante e nesta reunião iniciou-se a preparação do II Encontro Ibérico sobre o Urânio. Finalmente António Eloy concluiu a sessão, que há que referir se prolongou por mais de 3 horas e foi muito participada pelo público presente, com a desmistificação e a re-leitura de alguns factos sobre política energética e referências sobre os desenvolvimentos de energias renováveis no nosso país. Contrariar o urânio é também defender a eficiência e sustentabilidade.


Colóquio " As Questões do Urânio"


A Associação Ambiental AZU, tem vindo ao longo dos últimos anos a centrar a sua actividade na defesa do Ambiente, nomeadamente em questões que dizem respeito ao abandono das Minas de Urânio.

No entanto, esta Associação tem vindo a marcar uma posição activa e pertinente noutras situações, nomeadamente na defesa dos rios e seus afluentes e o Rio Mondego tem, neste âmbito, vindo a ser defendido com grande empenho por esta Associação, bem como a Ribeira da Pantanha, sua Afluente.

Após a recuperação ambiental da Barragem Velha da Urgeiriça, principal poluidora, ficámos convencidos que a poluição, que lhe estava associada, teria terminado ou simplesmente tinha sido reduzida. Foi nosso o espanto, quando irrompeu nas águas da Ribeira um manto de espuma. Confirmando tal situação, a AZU denunciou-a junto da Comunicação Social e apresentou, junto dos organismos competentes, a sua respectiva queixa. Contudo, esta iniciativa viria a merecer, em 2008, um ataque lamentável, por parte do actual vice-presidente da Câmara Municipal de Nelas, contra a AZU e seu presidente.

Dois anos após a queixa da AZU, para que a Ribeira da Pantanha não fosse alvo de tal atentado ambiental, novamente a referida Ribeira e, por extensão, o Rio Mondego foram poluídos por resíduos poluentes, a espuma branca e mal cheirosa reapareceu nas suas águas.

A direcção da AZU tentou identificar a origem da poluição, tendo sinalizado a Borgsten como estando na origem desta poluição. Solicitámos uma reunião à referida empresa, o que viria acontecer no dia 28 de Abril de 2010. Nesta reunião, a AZU apresentou as suas razões de descontentamento e intolerância para com esta situação, tendo recebido, por parte dos responsáveis da referida empresa, o melhor acolhimento para as nossas preocupações e vontade de resolver este problema, bem como todo o seu empenho na resolução do problema e, por consequência, assumir o compromisso em deixar de poluir, como prova disso informou ter contratado uma nova empresa responsável pela ETAR, pelo tratamento das águas, bem como o compromisso de utilização de novos métodos nos equipamentos e da duplicação das bombas.

Esta empresa comprometeu-se ainda com a direcção da AZU que, caso não se viesse a conseguir resolver o problema, o último recurso seria a deslocalização da linha de produção originária deste problema para outra dependência do grupo, solução essa, que não iria alterar em nada o futuro e crescimento da Borgsten em Nelas.

Entende a AZU que existe, por parte da empresa em questão, uma grande preocupação em acabar com a situação descrita e a prová-lo são as alterações feitas, no entanto, lembramos a mesma que, desde 2008, esta situação se tem vindo a arrastar e a agravar, infringindo as normas ambientais contempladas e cujas infracções são punidas por lei.

Estamos esperançados, em face de todas as preocupações da empresa e das medidas tomadas, de que a situação será resolvida, acabando com a poluição.

Serve para informar todos aqueles que se têm preocupado com esta situação, que a AZU continuará a seguir o problema e que tomará todas as medidas, caso o assunto não fique resolvido rapidamente, como foi prometido pela Borgsten.

Viseu, 6 de Maio de 2010

A Direcção da AZU - Associação Ambiental



9 de Maio de 2010 - A vogar contra a indiferença



A actividade "Vogar Contra a Indiferença - Pelos nossos rios, pelo nosso futuro" congregou cerca de 80 canoístas e 40 embarcações que desceram este domingo, dia 9 de Maio de 2010, o rio Tejo desde a barragem de Cedilho ao cais fluvial de Vila Velha de Ródão, numa ação que juntou portugueses e espanhóis em defesa de uma gestão sustentável do rio.

Em Vila Velha de Ródão, algumas centenas de pessoas aguardavam a chegada das canoas para ouvir a leitura de uma Carta Contra a Indiferença, documento no qual o proTEJO e as restantes organizadoras do evento, apelam às autoridades competentes, a nível internacional, nacional, regional e local, que defendam o rio Tejo e os seus alfuentes.

Exige ainda “o cumprimento da Directiva Quadro da Água, ou seja, a garantia de um bom estado das águas do Tejo", a monitorização do cumprimento permanente do regime de caudais ambientais, a recusa dos transvases do Tejo e o apoio à investigação de alternativas sustentáveis, baseadas no uso eficiente da água.

A concepção de um projecto de desassoreamento do rio, que permita a sua navegabilidade, a garantia da qualidade e quantidade de água do rio Tejo e dos seus afluentes, a restauração do sistema fluvial natural e o seu ambiente e a valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo são outras reivindicações.

A actividade "Vogar Contra a Indiferença" foi organizada pelo movimento proTEJO e pelas associações, a Adenex (defesa da natureza e recursos da Extremadura), a AZU (ambiente em zonas uraníferas), a ASA (Salavessa viva), o MUNN (movimento urânio em Nisa não), a Quercus e a CerciZimbra.A iniciativa contou ainda com o apoio da Associação de Estudos do Alto Tejo, do Geopark Naturtejo, da Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo, da United Photo Press/2010 - Ano Internacional da Biodiversidade, e dos municípios de Nisa e de Vila Velha de Ródão.

A Carta realça que o Tejo é o elemento unificador de toda a bacia ibérica e das gentes ribeirinhas.

“As populações do Alto Tejo conseguiram sobreviver e prosperar em harmonia com o rio que lhes foi generoso no passado e que será essencial no futuro”, sublinha.

Para este movimento, “a preservação do rio Tejo é um tributo que os cidadãos devem oferecer a este património, sendo urgente assegurar que o caudal do Tejo seja o que era antigamente, acabar com a poluição que mata os peixes e envenena o ambiente e as pessoas, criar canais de passagem para os peixes nas barragens e nos açudes e acabar definitivamente com a pesca ilegal”.

Acrescentam ainda que “neste futuro não têm lugar nem o Urânio nem o Nuclear, enquanto recursos energéticos insustentáveis do ponto de vista do desenvolvimento ambiental, social e económico, que colocam em risco a segurança dos cidadãos”.

RECONHECIMENTO DA DESCIDA DE CEDILHO A PORTAS DE RÓDÃO - 1 DE MAIO DE 2010

O reconhecimento foi feito rio abaixo no barco a motor do Sr. Fernando pescador quer acima e quer abaixo da Barragem de Cedilho.
A paisagem natural belíssima onde a rudeza da pedra se mistura com a verdejante natureza e com a fauna animal, com corvos marinhos, patos reais, entre outros, mostra da rica biodiversidade deste percurso.
Deixamos aqui esta pequena mostra de tudo aquilo que podem esperar da descida, um espectáculo da natureza.

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