
Festival de filmes sobre energia nuclear

Sessão Pública "Efeitos na saúde dos trabalhadores da exploração de urânio em Portugal"

Com destaque para dois pontos:
2. Causas e efeitos na saúde dos Trabalhadores das minas de urânio, Prof Dr. Pinto da Costa médico legista, Prof jubilado da Faculdade de Medicina do Porto; Prof. psicologia forense, neuropsicopatologia, psicofarmacologia e criminologia da Universidade do Porto.
3. O direito à indemnização dos familiares dos ex-trabalhadores das minas de urânio falecidos com neoplasias malignas, Dr. António Marinho Pinto Advogado, Bastonário da Ordem dos Advogados, Jornalista.
Festival de Cinema *International Uranium Film Festival*
E embora no Norte já nos tenhamos empenhado, com gentes e as populações contra a projectada central termo-nuclear de Sayago, cancelada!, e o depósito de resíduos radioactivos em Aldeadávila, com acções contra o governo espanhol, mobilizações locais e queixas à então C.E.E., e embora mobilizações em que também nos empenhámos (com co-autoria de relatório dos Friends Of the Earth International na London Dumping Convention) contra os vertidos nucleares nas fossas atlânticas, também tenham partido barcos de protesto de portos do norte em protesto, a mobilização restringiu-se aos activistas e dirigentes das ONGAS do norte (muito poucos) e alguns especialistas de energia, apoiantes ou não da opção nuclear.
E agora no sul, em Lisboa, na Fábrica Braço de Prata, e com sessões, com apoio dos eleitos locais, em Peniche, local da outrora projectada central portuguesa, e Nisa, zona com urânio e por tal ameaçada, iremos continuar o tempo.
E iremos discutir as questões da energia, produção e uso, mas também as centrais nucleares, as espanholas (sobretudo Almaraz) que nos colocam riscos e que controlamos de balde (é de balde que é recolhida mensalmente!, a água do Tejo para análise), ou os ventos, não aqueles para produzir energia que apoiamos, mas os que nos trazem resíduos da longínqua central de Fukushima como à anos trouxeram de Chernobyl.
A produção electro-nuclear e todo o seu ciclo serão vistos e discutidos durante os três dias (9/10/11 de Fevereiro pelas 21 horas, em Lisboa e em datas a anunciar os outros locais).
Hoje quero lembrar quatro momentos em que me envolvi e que marcam o tempo da luta.
a)No inicio dos anos 80 em Viseu denunciei os malefícios da mineração de urânio numa conferencia. Só a presença de um deputado da A.D. (Luís Coimbra, do P.P.M.) me salvou de ser linchado por sindicalistas mineiros enfurecidos. Passados quase 30 anos tive ocasião de acompanhá-los, na sua justa luta por compensações adequadas e recuperação das terras degradadas, liderados pelo António Minhoto (da Comissão Ex-trabalhadores).
A mineração de urânio é causadora de inúmeros e graves problemas na saúde dos trabalhadores e populações e deixa um registo de crueldade e degradação nas terras onde passa.
Estive em Nisa no inicio dos anos 90, quando se fizeram tentativas de mineração local de urânio, na altura na direcção do FAPAS produzi relatório contrário ao parecer do então presidente da Câmara. Mantenho o conteúdo do mesmo reforçado pelo tempo e hoje é com satisfação que um movimento cívico (MUNN) e a Presidente Gabriela Tsukamoto se opõem a esta indústria e desenvolvem projectos de sustentabilidade para o concelho. Outras ameaças se projectam para a vizinhança...
b) Na tomada de posse de governo presidido por Mário Soares, com membros da associação AMIGOS da Terra(FOEI) invadimos o espaço parlamentar para protestar contra a opção nuclear do governo, e passámos 6 ou 7 horas em detenção na esquadra do Parlamento (já se tinha desistido de Ferrel onde enterrámos energias e com o António José Correia, actual Presidente de Peniche, estivemos na 1ª linha da oposição com articulação com a Gazeta das Caldas, e o José Luís, e a referência, entre outras, de Delgado Domingues). Viria na qualidade de membro do grupo Consultivo e de apoio ao Plano Energético Nacional, em articulação, subliminar, com o então secretario de Estado do Ambiente, Carlos Pimenta, e outros, desenvolver empenho, técnico, energético mas muito, muito político para contrariar as rasteiras e perversidades (e ouso mesmo referir aldrabices!) que pela mão de diversos ministros procuravam instalar em Portugal 6 a 9 nucleares até... o ano 2000!
A nuclear hoje continua, felizmente em Portugal, e em breve globalmente a ser uma má miragem.
c) Tive empenhos, em questões parlamentares e artigos nos jornais de denunciar a situação (infelizmente até hoje não estudada) da exposição das nossas, e das outras forças de intervenção em cenários de guerra aos efeitos da exposição às bombas enriquecidas de urânio. Até hoje sobre esse só temos o que sabemos ser característica de Prudência. Num Estado de Direito os militares e as populações devem ser informados.
d) Não quero deixar de mencionar, o que hoje é um risco em alastramento, as armas nucleares. Nos anos 80 também estive detido algumas horas em Pankov, na ex-R.D.A. numa acção não violenta com alguns companheiros exigimos o desarmamento nuclear unilateral e direitos políticos. Vivíamos nos tempos da guerra gelada e fomos expulsos depois de uma tarde muito fria na esquadra.
Muitas histórias sobre a nuclear, todo o ciclo de urânio se podem contar, e espero que os nossos netos as ouçam como relíquias de um tempo insensato e de dispilfário. Nos anos 80 editei e escrevi parte substancial do livro (hoje uma raridade) “Antes, durante e depois de Chernobyl, o Nuclear no Mundo e em Portugal”, edição dos extintos Amigos da Terra. Desde essa altura tenho continuado a escrever e intervir em todas as áreas do social.
Hoje vivemos momentos complexos e delicados. Na economia, na sociedade, no ambiente.
Ver, discutir, produzir pensamento, optar é um imperativo cívico.
Esta extensão do Festival, para a qual a Márcia Gomes de Oliveira e Norbert Suchanek me atribuíram a responsabilidade e, posso dizer a honra, de coordenar é um momento para o futuro.
O tempo o dirá!
Programação Geral
9 de Fevereiro, 21 horas
A bomba suja do Pentágono, Urânio 238 – Pablo Ortega
Césio 137. O Brilho da Morte - Luiz Eduardo Jorge
Urânio em Nisa Não - Norbert G. Suchanek
10 Fevereiro, 21 horas
YellowCake- Brock Williams
A sede do Urânio por água - Norbert G. Suchanek & Marcia Gomes Oliveira
Pedra Podre - Eva Lise Silva, Ligia Girão, Stela Grisotti
11 Fevereiro, 21 horas
Yellow Cake, a Mantira da Energia Limpa- Joachim Tschirner
Após cada sessão haverá debates com realizadores, especialistas e membros de associações de Ambiente, sendo que os realizadores e os nossos convidados na Extensão realizada no Porto terão prioridade de intervenção nesses.
António Eloy
Coordenador nacional do
1st International Uranium Film Festival
Seminário: Efeitos na Saúde dos trabalhadores da Exploração de Urânio em Portugal
26 de Novembro de 2011 – 9,45 horas
MANIFESTAÇÃO PELO ENCERRAMENTO DA CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ, JUNTO AO RIO TEJO, EM ESPANHA
Pelo encerramento da Central de Almaraz
Uma vez mais a Quercus vai juntar-se a diversas associações ecologistas e movimentos espanhóis que lutam pelo encerramento desta central nuclear, que fica situada junto ao rio Tejo, na província de Cáceres, em Espanha, a cerca de 100 km da fronteira com Portugal.
A Central de Almaraz tem tido incidentes com regularidade, existindo situações em que já foram medidos níveis de radioactividade superiores ao permitido. Portugal pode vir a ser afectado, caso ocorra um acidente grave, quer por contaminação das águas, uma vez que a central se situa numa albufeira afluente do rio Tejo, quer por contaminação atmosférica, pela grande proximidade geográfica existente. Para além disto, Portugal não revela estar minimamente preparado para lidar com um cenário deste tipo, pelo que a acontecer um acidente grave, isso traria certamente sérios impactes imediatos para toda a zona fronteiriça, em especial para os distritos de Castelo Branco e Portalegre.
Em Almaraz, acidentes como o ocorrido em Maio de 2008, que obrigou à evacuação do pessoal do recinto de contenção e onde foram libertados cerca de 30 000 litros de água radioactiva que após tratamento teve que ser libertada no rio Tejo, apenas vêm reforçar a importância de se proceder ao encerramento desta central, que ultrapassou já o seu período normal de vida. Com efeito, esta Central, que está já a funcionar desde o início dos anos 80, acabou por não encerrar na data prevista – Junho de 2010 - devido ao facto do Governo Espanhol ter, contrariamente às anteriores intenções, prolongado o prazo de funcionamento da Central por mais 10 anos, até Junho de 2020.
Num ano marcado pelos 25 anos do acidente na Central Nuclear de Chernobil e pelo grave acidente, ainda não resolvido, ocorrido na Central Nuclear de Fukoshima, no Japão, a Quercus manifesta desde já grande preocupação com este prolongamento do prazo de funcionamento da Central Nuclear de Almaraz e exige que o Governo Espanhol cumpra com as suas promessas de abandono gradual da energia nuclear e tome a decisão de encerrar esta Central a curto prazo.
O programa de dia 17 de Setembro
A manifestação pelo encerramento da Central Nuclear de Almaraz terá início às 11.00h (hora de Portugal) na Plaza Nueva, em Almaraz, prosseguindo depois, num percurso a pé até à Central Nuclear de Almaraz, ao longo de cerca de uma hora e meia.
Esta manifestação contará com a participação e apoio das seguintes organizações: Plataforma Antinuclear Cerrar Almaraz, Plataforma Refinería No, Plataforma Cementerio Nuclear No, Ecologistas en Acción Extremadura, ADENEX, Quercus, Fapas, LPN, CAC-CGT, Esquierda Anticapitalista, Juventudes Comunistas, Izquierda Unida, CNT, PCEX, Associacion juvenil El Garabato, Sodepaz e Grupo Retama.
Lisboa, 16 de Setembro de 2011
A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Para mais informações contactar:
Nuno Sequeira, Presidente da Direcção Nacional, telemóvel 93 778 84 74 (em Almaraz)
Francisco Ferreira, Vice-presidente da Direcção Nacional, telemóvel 93 778 84 70 (em Lisboa)
José Janela – Presidente do Núcleo Regional de Portalegre, telemóvel 96 020 70 80
O Mal da Mina

“O Mal da Mina” retrata o grave problema de saúde da população da Urgeiriça, (concelho de Viseu) e da zona envolvente – o cancro no pulmão e na tiroide.
A Urgeiriça foi terra de mineiros. A exploração e tratamento de urânio (minério radioativo) enriqueceu muita gente, mas também matou muitos trabalhadores e até familiares. Apesar da Empresa Nacional de Urânio ter encerrado em 2004 muitas pessoas continuam a adoecer com o mesmo mal.
O contacto com este minério não se limitava à mina, uma vez que o material radioativo ficou espalhado por toda a região (na via pública; nas casas; em aterros).
No entanto, a descontaminação da zona está longe de estar terminada.
“O Mal da Mina” é uma reportagem de Mafalda Gameiro com imagem de António José Fernandes e edição de António Antunes. A produção é de Amélia Gomes Ferreira.
Veja o video aqui.
3ª Mobilização Ibérica de Cidadãos em Defesa do Tejo
VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA - CONSTÂNCIA - ALMOUROL - VILA NOVA DA BARQUINHA - 24 DE SETEMBRO DE 2011 Vogar Contra a Indiferença | 24 de Setembro de 2011 Realizam-se no dia 24 de Setembro de 2011, um conjunto de acções de mobilização dos cidadãos em defesa do Tejo e do património natural e cultural associado, manifestando igualmente os protestos contra a sobre exploração a que o Tejo se encontra submetido em resultado do aumento dos transvases. A iniciativa consiste numa descida em canoa que terá o seu início na praia fluvial de Constância, com paragem no Castelo de Almourol, e cuja expedição tem como destino o cais fluvial no Parque Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha, realçando a beleza deste património natural e cultural associado ao rio, onde culminará num almoço convívio. Neste momento de convívio irá proceder-se à leitura da Carta Contra a Indiferença onde se evidencia a necessidade de defender o rio Tejo da sobre exploração da água devido aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha, e a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as actividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar. Esta actividade pretende consciencializar as populações ribeirinhas para a conservação do rio Tejo focando a necessidade de uma regulamentação da gestão de barragens e açudes que garanta um regime fluvial adequado à prática de actividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas, que integre verdadeiros caudais ecológicos e uma continuidade fluvial proporcionada por passagens para peixes eficazes. Está prevista uma mobilização significativa de grupos de cidadãos de ambos os lados da fronteira, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.


