Futuro sustentável Sim

Friday, July 06, 2007
Fui, entre caminhos e caminhares, novamente a Nisa.
O pulso desta terra vive e procura continuidade sustentada. No Cine-teatro local, já passava das duas da manhã e mais de meia centena das cerca de 130 pessoas que por aí passaram continuavam a ouvir falar com sabedura técnica ou com compromisso social ou com lógica de gestão continuavam a ouvir e participar na discussão do futuro desta, destas terras.
Apresentei um "improvisso" com base no texto que aqui não posso improvisar. E aqui volto a referir o meu empenho numa decisão consciente. As alternativas existem.
(...)

Apresentação

Venho a Nisa à muito tempo, estive aqui quando à uns anos foi apresentada proposta de avançar com a exploração do urânio. Voltei desde então diversas vezes aqui e aos concelhos em redor. Estudei a história, vi as terras, falei com as gentes. Sinto um potencial de sustentabilidade, de desenvolver hoje a pensar no como aqui chegámos e a pensar para onde temos que ir.

Esse potencial pode ser posto em causa.
Vários são os problemas que a retomada ideia de exploração de urânio coloca.
Novamente aqui me empenho, com esta terra e esta gente.
Tive ocasião de referir que não fora a minha gente de mais a sul (de Barrancos), terra também como esta, e aliás todas as terras extremas, de acolhimento de todos os fugitivos, perseguidos e errantes, onde também enfrentámos lutas pela defesa do território e aqui, por Nisa, lançaria raízes.
Mas essas também ficam no empenho e compromisso que aqui vos deixo:

Três tópicos:

1. A Terra:

Terras graníticas estão associadas do ponto de vista geológico às ocorrências de urânio.

No Concelho de Nisa, mas igualmente por Castelo de Vide e Marvão ocorre uma jazida de urânio, de superfície, relativamente significativa, que poderá no caso imprevisível, do relançamento da industria de fissão nuclear para extrair energia ou para outros fins, ter um acrescido valor de mercado. (Ontem uma grande machada foi-lhe dado quando a chanceler Merkel assumiu a continuação do desmantelamento das centrais nucleares alemãs!)

O Urânio no solo é por si mesmo um minério que comporta riscos. A construção de edíficios onde este ocorre deve ser feita obedecendo a determinantes arquitectónicos que evitem acumulação de radão e não deve ser feito apascentamento de gado nem agricultura em zonas onde este está mapeado.

Sublinho isto porque é um problema de saúde pública.
E devo referir que penso que os proprietários destes espaços devem ser compensados!
DEVEM SER FEITOS MAPEAMENTOS DOS CONCELHOS MENCIONADOS E ESTES INTEGRADOS NOS P.D.M.s como zona não edificante e feito o seu isolamento em termos de agro-pastorícia.

2- Saúde

Mas se estes problemas já se verificam quais as consequências da mineração deste minerio para a terra, a saúde das populações?

Sejamos claros: transformar um produto mineral numa matéria prima, qualquer que ele seja é um risco, provoca resíduos, poluição, modificações sociais.

A mineração de urânio provoca problemas relacionados com o sistema de transporte (poeiras e gases, entre os quais o radão são disseminados), deixa escombreiras e zonas de águas ruças com teores de radioactidade porventura elevada e durante o período de lavra que poderíamos estimar entre 5 e 8 anos provocaria uma movimentação de trabalhadores forasteiros, com os consequentes impactos (bares, casas de alterne, etc.)
após o que deixaria as escombreiras mencionadas e eventualmente, eventualmente alguma mais valia para alguns negócios e se uma boa negociação for feita e uma exigente imposição de normas for regulamenta e implementada algum benefício para o concelho e a possível minimização de alguns dos problemas acima referidos.

DEVE, do meu ponto de vista e de acordo com as normas de democracia que enformam os Estado de Direito! O CONCELHO, OS CONCELHOS afectados, SEREM ENVOLVIDOS DESDE O INÍCIO DESTE PROCESSO.

NADA DEVE SER FEITO CONTRA A VONTADE DAS POPULAÇÕES!
Não é possível, temos que dizê-lo com toda a frontalidade!, desenvolver esta actividade contra a vontade das populações e a sua representação politica local.

3- Futuro sustentável

Por estas nossas terras do interior passam-se dificuldades mas há uma enorme vontade de futuro.
A agro-indústria com diversas formas industriais ou artesanais do queijo e dos enchidos, outros artesanatos, nichos de mercado que são as rendas/alinhavados, a construção com buinho ou o trabalho com pedra, e cerâmicas, um turismo de natureza e de património, que explore minas, caminhos de contrabando, caminhos de caminhar, património monumental e lazer.
A revitalização das águas e do seu usufruto, o desenvolvimento de eco-aldeias, e de novos espaços de tranquilidade são buscados, nacional e internacionalmente a peso de oiro...

Pois isso, tudo isso ou...a mineração de urânio.

O urânio tem problemas sérios, mesmo no estado natural, e até desses nos devemos defender, identificar jazidas, evitar actividades referidas e controlar outras.

Mas a extracção deste minério, num período limitado no espaço e no tempo (6/8 anos), tem uma enorme repercussão sócio-psicológica nas populações e nas actividades económicas sustentadas para o seu desenvolvimento.

- Outras regiões do nosso pais definharam, nelas a vida dos que trabalharam nas minas e das populações locais é vivida hoje com risco e luta pelos direitos de quem nas minas deixou parte dessa.
( aqui neste ponto não deixei de saudar na pessoa de António Minhoto a dignidade e luta dos trabalhadores das minas da Urgeiriça, contra o incumprimento pelo Estado seja da recuperação ou mitigação dos problemas ambientais dessas terras minieradas, assim como contra a inexistência de serviços de saúde e monitorização adequados ou trabalho realizado e compensações IRRECUSÁVEIS pelos riscos, muitas vezes fatais, para os próprios e consequências também para as famílias)
- Não é certo que os preços se mantenham no mercado internacional, a nuclear, pesem subsídios e a ajuda dos problemas dos combustíveis fósseis e as alterações climáticas poderá não arrancar e o minério vir por aí abaixo.
Sabemos que esta tecnologia, alem dos riscos gravíssimos não é solução nem parte dessa para os problemas do aquecimento global.
-E sobretudo tem que se colocar na balança os dois cenários.
Aos talvez sete anos de vacas gordas que seria uma exploração do urânio em Nisa e concelhos em torno, não se seguiriam só sete de vacas magras.
Poderia ser o futuro destas terras a ficar para sempre assombrado.

Que a opção passe sempre, essa é a mensagem que quero deixar pelas populações e os seus representantes. O futuro é aqui!

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