Festival de Cinema *International Uranium Film Festival*



Na Fábrica do Braço de Prata, ver programação em baixo...


No Porto (no auditório do Grupo Musical de Miragaia) realizou-se a 24 fotogramas por segundo e com momentos de boa conversa e debate a 1ª extensão em Portugal do http://www.uraniumfilmfestival.org/
E embora no Norte já nos tenhamos empenhado, com gentes e as populações contra a projectada central termo-nuclear de Sayago, cancelada!, e o depósito de resíduos radioactivos em Aldeadávila, com acções contra o governo espanhol, mobilizações locais e queixas à então C.E.E., e embora mobilizações em que também nos empenhámos (com co-autoria de relatório dos Friends Of the Earth International na London Dumping Convention) contra os vertidos nucleares nas fossas atlânticas, também tenham partido barcos de protesto de portos do norte em protesto, a mobilização restringiu-se aos activistas e dirigentes das ONGAS do norte (muito poucos) e alguns especialistas de energia, apoiantes ou não da opção nuclear.



E agora no sul, em Lisboa, na Fábrica Braço de Prata, e com sessões, com apoio dos eleitos locais, em Peniche, local da outrora projectada central portuguesa, e Nisa, zona com urânio e por tal ameaçada, iremos continuar o tempo.



E iremos discutir as questões da energia, produção e uso, mas também as centrais nucleares, as espanholas (sobretudo Almaraz) que nos colocam riscos e que controlamos de balde (é de balde que é recolhida mensalmente!, a água do Tejo para análise), ou os ventos, não aqueles para produzir energia que apoiamos, mas os que nos trazem resíduos da longínqua central de Fukushima como à anos trouxeram de Chernobyl.



A produção electro-nuclear e todo o seu ciclo serão vistos e discutidos durante os três dias (9/10/11 de Fevereiro pelas 21 horas, em Lisboa e em datas a anunciar os outros locais).



Hoje quero lembrar quatro momentos em que me envolvi e que marcam o tempo da luta.



a)No inicio dos anos 80 em Viseu denunciei os malefícios da mineração de urânio numa conferencia. Só a presença de um deputado da A.D. (Luís Coimbra, do P.P.M.) me salvou de ser linchado por sindicalistas mineiros enfurecidos. Passados quase 30 anos tive ocasião de acompanhá-los, na sua justa luta por compensações adequadas e recuperação das terras degradadas, liderados pelo António Minhoto (da Comissão Ex-trabalhadores).



A mineração de urânio é causadora de inúmeros e graves problemas na saúde dos trabalhadores e populações e deixa um registo de crueldade e degradação nas terras onde passa.



Estive em Nisa no inicio dos anos 90, quando se fizeram tentativas de mineração local de urânio, na altura na direcção do FAPAS produzi relatório contrário ao parecer do então presidente da Câmara. Mantenho o conteúdo do mesmo reforçado pelo tempo e hoje é com satisfação que um movimento cívico (MUNN) e a Presidente Gabriela Tsukamoto se opõem a esta indústria e desenvolvem projectos de sustentabilidade para o concelho. Outras ameaças se projectam para a vizinhança...



b) Na tomada de posse de governo presidido por Mário Soares, com membros da associação AMIGOS da Terra(FOEI) invadimos o espaço parlamentar para protestar contra a opção nuclear do governo, e passámos 6 ou 7 horas em detenção na esquadra do Parlamento (já se tinha desistido de Ferrel onde enterrámos energias e com o António José Correia, actual Presidente de Peniche, estivemos na 1ª linha da oposição com articulação com a Gazeta das Caldas, e o José Luís, e a referência, entre outras, de Delgado Domingues). Viria na qualidade de membro do grupo Consultivo e de apoio ao Plano Energético Nacional, em articulação, subliminar, com o então secretario de Estado do Ambiente, Carlos Pimenta, e outros, desenvolver empenho, técnico, energético mas muito, muito político para contrariar as rasteiras e perversidades (e ouso mesmo referir aldrabices!) que pela mão de diversos ministros procuravam instalar em Portugal 6 a 9 nucleares até... o ano 2000!



A nuclear hoje continua, felizmente em Portugal, e em breve globalmente a ser uma má miragem.



c) Tive empenhos, em questões parlamentares e artigos nos jornais de denunciar a situação (infelizmente até hoje não estudada) da exposição das nossas, e das outras forças de intervenção em cenários de guerra aos efeitos da exposição às bombas enriquecidas de urânio. Até hoje sobre esse só temos o que sabemos ser característica de Prudência. Num Estado de Direito os militares e as populações devem ser informados.



d) Não quero deixar de mencionar, o que hoje é um risco em alastramento, as armas nucleares. Nos anos 80 também estive detido algumas horas em Pankov, na ex-R.D.A. numa acção não violenta com alguns companheiros exigimos o desarmamento nuclear unilateral e direitos políticos. Vivíamos nos tempos da guerra gelada e fomos expulsos depois de uma tarde muito fria na esquadra.



Muitas histórias sobre a nuclear, todo o ciclo de urânio se podem contar, e espero que os nossos netos as ouçam como relíquias de um tempo insensato e de dispilfário. Nos anos 80 editei e escrevi parte substancial do livro (hoje uma raridade) “Antes, durante e depois de Chernobyl, o Nuclear no Mundo e em Portugal”, edição dos extintos Amigos da Terra. Desde essa altura tenho continuado a escrever e intervir em todas as áreas do social.



Hoje vivemos momentos complexos e delicados. Na economia, na sociedade, no ambiente.



Ver, discutir, produzir pensamento, optar é um imperativo cívico.



Esta extensão do Festival, para a qual a Márcia Gomes de Oliveira e Norbert Suchanek me atribuíram a responsabilidade e, posso dizer a honra, de coordenar é um momento para o futuro.



O tempo o dirá!



Programação Geral

9 de Fevereiro, 21 horas

A bomba suja do Pentágono, Urânio 238 – Pablo Ortega
Césio 137. O Brilho da Morte - Luiz Eduardo Jorge
Urânio em Nisa Não - Norbert G. Suchanek

10 Fevereiro, 21 horas

YellowCake- Brock Williams
A sede do Urânio por água - Norbert G. Suchanek & Marcia Gomes Oliveira
Pedra Podre - Eva Lise Silva, Ligia Girão, Stela Grisotti




11 Fevereiro, 21 horas

Yellow Cake, a Mantira da Energia Limpa- Joachim Tschirner


Após cada sessão haverá debates com realizadores, especialistas e membros de associações de Ambiente, sendo que os realizadores e os nossos convidados na Extensão realizada no Porto terão prioridade de intervenção nesses.



António Eloy
Coordenador nacional do
1st International Uranium Film Festival

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